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quarta-feira, 7 de maio de 2014

É preciso pregar a Palavra de Deus

[...] A grande tarefa que o Senhor nos concede hoje, é uma tarefa que nós recebemos quando nos tornamos filhos de Deus, aí o padre pergunta para vocês: Como nos tornamos filhos de Deus? Por meio do batismo. É por meio do batismo que nos tornamos filhos de Deus e a partir do batismo o Senhor nos concede essa missão de continuar o seu amor e a sua mensagem de salvação adiante. Porque Jesus veio a este mundo uma vez só, Jesus morreu uma vez só, Jesus ressuscitou uma vez só, e agora quem vai continuar com essa missão se não nós mesmos seus irmãos, filhos de nosso Deus? E por isso pelo batismo nós somos filhos de Deus que recebemos esta missão por meio de três presentes, todo batizado recebe três presentes.

Primeiro: Recebe a graça de ser sacerdote, não que todos os batizados sejam padres, não é isso, mas todos os batizados recebem a graça de ser sacerdotes no sentido do sacerdócio de Cristo, o único e verdadeiro sacerdote que oferece a sua vida, seu corpo e sangue para a nossa salvação e pelo batismo nós participamos desse eterno sacrifício de Jesus Cristo. 
O segundo presente: é o que o Senhor nos oferece pelo batismo, é no que nós nos tornamos, não somente sacerdotes, nós nos tornamos reis, não reis com coroa na cabeça, com cetro de ouro na mão e capa vermelha, mas reis enquanto sermos dignos de sermos filhos de Deus, enquanto participantes da dignidade dos filhos de Deus, agora já não somos mais uma criatura, nós não somos como um animal, nós não somos como uma planta, mas somos criados a imagem e semelhança de Deus, nós somos filhos, e essa realeza que ganhamos no batismo. 
E o terceiro presente que ganhamos no batismo, além de sermos sacerdotes e reis, somos chamados segundo a liturgia de hoje, somos chamados a ser profetas. O batismo nos dá a graça de sermos profetas, e a função do profeta é anunciar a Jesus Cristo; anunciar a vinda de Deus; é conduzir as pessoas até a salvação em Deus, mas é também denunciar às injustiças e tudo aquilo que nos afasta da graça do Senhor; que nos distancia de Deus; tudo aquilo que não nos aproxima de Deus, mas do pecado; e hoje a liturgia nos chama para sermos os profetas dos nossos dias, que façamos a diferença no meio em que vivemos, que sejamos o sinal de contradição. Se queremos uma sociedade diferente, uma sociedade que não se pregue mais o mal e sim o bem, que viva a paz; a concórdia; a justiça e o amor, que estejam e vivam verdadeiros profetas em seu meio, somos nós e a partir de nós que inicia esta missão. 
[...] Não adianta, caríssimos irmãos, reclamarmos das coisas ruins, se nós não somos o sinal de diferença, se não fazemos a diferença onde vivemos, se não somos esse sinal de contradição, se não vivemos o amor, se não buscamos a paz, se não somos justos, se nós não somos verdadeiros com Deus e com os nossos irmãos.

Por isso hoje somos convidados a viver esta profecia, e a primeira leitura, dos atos dos apóstolos, mostra o
grande exemplo de profeta depois de Jesus Cristo, o continuador da mensagem do Senhor, foi Pedro, ele continua a mensagem de amor, ele não tem medo de dar sua cara à tapa em favor de Jesus, ele não é o cristão covarde, mas o cristão corajoso, que vai testemunhar e profetizar o nome do Senhor, e nós somos chamados a inspirados por seu exemplo a também sermos corajosos, cristão que é cristão não tem medo, não ter vergonha, é corajoso, é audacioso, é sem vergonha no sentido bom, de não ter medo de enfrentar as dificuldades aonde vive, do mundo em que vive, do tempo que vive, para anunciar a Cristo. 
São Pedro vivia bem isso das comunidades cristãs, no início da igreja, e no início da igreja também não era fácil, não se abria uma porta, entrava, louvava e rezava, não, os cristãos eram perseguidos, e ele não teve medo, foi; pregou; anunciou e profetizou, mas nós temos além de São Pedro na primeira leitura, o outro exemplo de profecia, o próprio Cristo, nós ouvimos hoje a passagem dos discípulos de Emaús, que estavam triste e abatidos, porque Jesus havia sido morto e não tinham certeza se ele havia ressuscitado realmente, eles não estavam crentes nisso, mas Jesus veio profetizar na vida daqueles dois discípulos que Ele estava vivo, mas ele foi falando de futebol, do que estava acontecendo no bairro, da política, das falcatruas que aconteciam por aí? Não, Ele foi pregando a palavra de Deus, e é aí que nós enquanto cristãos devemos agir, nós somos chamados a pregar como profetas a Palavra de Deus, se Jesus que é o Filho de Deus pregou a Palavra, quem somos nós para não pregar a palavra? Mas vocês podem dizer: ah! Padre, mas o senhor é fácil, estudou por volta de dez anos, então para o senhor é fácil pregar a palavra de Deus, eu as vezes nem sei ler, como vou profetizar e pregar a palavra de Deus? 
Meus queridos, muito mais do que falar a nossa pregação deve estar no nosso agir, Jesus após pregar, vai ficar com eles e toma a refeição com eles, a atitude de Jesus quando parte o pão, é que abre os olhos dos discípulos, até então pela pregação os olhos não tinham sido abertos, mas foi por meio do agir de Jesus Cristo que os olhos dos discípulos se abriram. Queridos, é assim que nós profetizamos, é assim que nós pregamos o amor de Deus, assim que nós profetizamos e pregamos a salvação que Ele realizou por nós na cruz e no sepulcro, quando a pedra rola e não tem mais ninguém ali, porque o corpo glorioso já havia sido elevado, já havia ressuscitado. É não tanto pelas palavras, mas pelas palavras e ações, que nós vamos ser profetas em nosso meio, não basta inteligência, não basta conhecimento, mas querer e viver aquilo que nós pregamos, por isso, irmãos, nós nesse terceiro domingo da páscoa, o que vamos buscar de Deus? O que vamos pedir para Ele? 
Vamos suplicar para Ele hoje esta graça: Senhor, que eu seja um cristão corajoso, audacioso, que eu seja um cristão sem vergonha para viver a profecia que, pelo batismo, o Senhor me concede e para que eu possa pregar a sua mensagem de amor e salvação, não com medo, mas destemor e com verdade, muito mais que palavras são os meus atos e com os meus atos, eu vou converter as pessoas.

Pe. Everton Marqui Domingues
Terceiro Domingo da Páscoa, Ano A - Comunidade Santo Antônio
Fotos e Transcrição: Lucas Silva


Link para Download:  Homilía - Padre Everton.mp3

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O reconhecemos ao partir o pão

1. “Eles reconheceram o Senhor ao partir o pão” (Cf. Lc 24,30-31). Esta afirmação que ouvimos no Evangelho aponta para nós algumas realidades:
·         A experiência do Ressuscitado da primeira comunidade cristã;
·         As refeições fraternas nas casas dos cristãos (Eucaristia);
·         O reconhecimento de Jesus como Senhor, que só “acontece” quando se percorre um caminho humano, que prevê alegrias e celebração, mas também o fracasso, a solidão, a busca pela justiça e verdade, a coerência em direção a um mundo melhor e a solidariedade (é esta a experiência que os discipulos de Emaús fazem na busca de respostas para os seus “porquês” e diante de toda angustia que estavam sentindo pelo ocorrido com Jesus);
É neste quadro que o Cristo, anônimo e misterioso, companheiro, testemunha e interlocutor das hesitações e dúvidas daqueles discipulos, revela-se, não como alguém que tem resposta para todos os questionamentos, mas como alguém que aceitou entrar no plano de Deus, onde torna-se o primogênito, ou seja, o primeiro de uma nova humanidade, nascida do seu sacrifício redentor.
Ele se revela num gesto tão simples: no partir de um pão. Um pão que indica a sua Presença no meio de nós, a Eucaristia.

2. A Eucaristia é um rito, pelo qual reconhecemos o Senhor. Não é qualquer rito, mas o memorial da sua morte e ressurreição. Neste rito se revelam os acontecimentos históricos da vida de Jesus, de sua Igreja e de toda a humanidade. Neste rito se revela o plano de Deus na atualidade da nossa história. A Eucaristia que celebramos não é recordação, mas atualização da Páscoa do Senhor e da nossa Páscoa também, pois é anúncio de salvação.
Este rito que celebramos como memorial é composto de duas partes: Liturgia da Palavra e Liturgia da Eucaristia. Seguimos os moldes da catequese primitiva dos apóstolos (por exemplo, At 2,14-33 – O discurso depois de Pentecostes), que se apoiava no testemunho da Escritura para interpretar o Cristo e seu anúncio; também a nossa comunidade se reúne para ouvir a Palavra de Deus proclamada, e assim compreender a sua vida de hoje ao mesmo tempo em que antecipa, na esperança, a glória com Cristo. Depois se celebra a Eucaristia – O Deus que nos fala se doa no pão consagrado e partilhado.
É por isso que a Igreja nos ensina que “as duas partes que constituem a missa, isto é, a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística, são tão estreitamente unidas entre si que formam um só ato de culto” (SC 56). Ou seja, “só quem partilha a mesma história pode partilhar o mesmo pão que é memorial, presença e profecia do Senhor ressuscitado” (Missal Dominical, Paulus)

3. A Eucaristia conforme nos ensina a Igreja “é ápice e fonte de toda a vida cristã”. A comunidade cristã se reúne em torno dela, portanto em torno de uma pessoa, Jesus Ressuscitado, que, está presente na Eucaristia, força que une a comunidade, força que impulsiona o seu desenvolvimento. Nós ocupamos o lugar dos discipulos de Emaús, pois reconhecemos o Senhor no partir do pão.

4. Pedro nos apresenta em sua carta uma norma de vida que consiste no temor filial que se deve ter em relação a Deus. Esta norma de vida tem seu fundamento na fé no mistério de Cristo revelado nos últimos tempos. De fato, a revelação última de Jesus, depois de Pentecostes, acontece na Eucaristia, revelação que se renova a todo instante nos altares ao redor do mundo.
O Sangue de Jesus derramado na Cruz é o mesmo Sangue consagrado sobre o altar, este é o preço pago pelo nosso resgate e ao mesmo tempo fundamento da nossa esperança (Cf. I Pd 1,17-21). Sob o olhar do Apóstolo que nos explica o mistério pascal, apresentando-nos como motivo determinante de santidade e de vida, ele nos fala do resgate que Cristo nos faz, o que nos leva a compreendermos ainda mais a Eucaristia como fonte e ápice de toda vida cristã.
A Eucaristia nos leva a fazermos uma experiência de resgate de consciência. A consciência de termos sido resgatados da vergonha e da escravidão e do pecado mediante o sangue do Filho de Deus. Este argumento é forte e inevitavelmente leva os homens a amar o seu Salvador e a viver de tal modo que sua Paixão não tenha sido inútil. O Sangue de Jesus é precioso, é dom, é esperança de vida eterna.  

5. Sendo fonte de vida, a Eucaristia nos chama a viver uma dimensão social, este Senhor que é reconhecido ao partir do pão por aqueles que comungam, pede aos mesmos, que se comprometam a partilhar outro pão, o pão da justiça e da solidariedade, um pão de defesa para aqueles que têm o pão de cada dia roubado pelas injustiças dos homens e sistemas sociais exploradores. Se faltarmos com este compromisso a Eucaristia não tem sentido, deixa de ser revelação da Presença de Jesus e passa a ser apenas um fenômeno alienante que alimenta somente uma fé sem raízes e sem compromisso.
A este respeito nos diz São João Crisóstomo: "De que serve ornar de vasos de ouro a mesa do Cristo, se ele mesmo morre de fome? Começa por alimentá-lo quando está faminto, e então poderás decorar sua mesa com o supérfluo. Dize-me: se, vendo alguém privado do sustento indispensável, o deixasses em jejum e fosses enfeitar sua mesa com vasos de ouro, achas que ele te seria agradecido? Ou não ficaria indignado? Ou ainda, se vendo-o vestido de andrajos e trêmulo de frio, o deixasses sem roupa para erigir-lhe monumentos de ouro, pretendendo assim honrá-lo, não diria ele que estarias zombando dele com a mais refinada ironia? Confessa a ti mesmo que ages assim com o Cristo, quando ele é peregrino, estrangeiro e está sem abrigo, e tu, em lugar de recebê-lo, decoras os pavimentos, as paredes e os capitéis das colunas. Suspendes candelabros com correntes de prata, e quando ele está acorrentado, não vais consolá-lo. Não digo isto para reprovar esses ornamentos, mas afirmo que é necessário fazer uma coisa sem omitir a outra; ou melhor, que se deve começar por esta, isto é, por socorrer o pobre".

6. Por fim, a Liturgia de hoje nos indica um caminho para o verdadeiro encontro com Jesus: é preciso escutar as Escrituras e partir juntos o Pão. Desta forma nos nutrimos do Pão da Vida que é a Eucaristia. Quem participa da Eucaristia se deixa transformar por Aquele que nela se doa. Por isso, a Eucaristia tende a nos tornar apóstolos, pois ela é amor ardente de Deus por nós, a qual devemos amar com um amor igualmente consumidor.
Sim, o “reconhecemos ao partir o pão”.

Pe. Rodolfo Marinho de Sousa
3º. Domingo da Páscoa – “Domingo dos Discipulos de Emaús” (Ano A)
São Paulo, 04 de Maio de 2014

sábado, 3 de maio de 2014

Eucaristia, Presença do Senhor Ressuscitado na Igreja

Os apóstolos estão no sinédrio para serem julgados e condenados à morte. No meio das discussões surge uma voz sensata, de um mestre da Lei fariseu chamado Gamaliel, que resgatando fatos da história recente, intercede em favor dos apóstolos, afirmando que se a obra deles for humana, por si só acabará, mas se for de Deus, permanecerá (cf. At 5,34-42).
Pois bem, Gamaliel raciocina como um homem de fé, os perseguidores dos apóstolos raciocinam como homens do poder, afinal a mensagem deles meche com a sua posição e ameaçam a soberania que os mesmos têm sobre o povo. Estão mais interessados no seu, do que analisar a situação em questão como uma iniciativa da Providência Divina.
A fala de Gamaliel vai às raízes das relações entre Sinagoga e a Comunidade dos seguidores de Jesus Cristo que está nascendo e ganhando força, a Igreja. Ele parte de um principio que está presente na História do Povo de Deus, que prevê o combate contra todo desvio da verdadeira fé no Deus de Israel, mas que também indica que deve se reconhecer a ação livre e gratuita de Deus, que é livre para escolher, tomar novas iniciativas, inclusive de formar um novo povo a partir da Paixão, Morte e Ressurreição de seu Filho. Este novo povo é a Igreja.
A sugestão de Gamaliel é que se faça um discernimento da situação, e para isso é necessário dar “tempo”, ou seja, deixar que o tempo se encarre e verfique se aquela obra é de Deus ou não, se for, resistirá, se não for perecerá. Esta leitura deve ser feita com humildade e se deve estar aberto para acolher nos sinais a vontade de Deus.
Mesmo sendo um fariseu, Gamaliel no Sinédrio, dá o ultimo critério de reconhecimento e autenticidade da vida e atividade da Igreja. Se a Igreja nasce de um esforço humano que prevê libertação e revolução, da mesma forma como nasceu ela morrerá. Porém, sabemos que neste novo povo que nasce e se chama pelo nome de Igreja, em seu corajoso testemunho é Deus que opera a salvação do povo através de suas testemunhas. Se Deus está com a Igreja, é inútil combatê-la. Se Deus é por nós, quem será contra nós? Lutar contra a Igreja é lutar contra Deus.
Vemos ao longo da História provas desta verdade, pois a Igreja de Jesus Cristo, da qual nós fazemos parte, permaneceu de pé e continua de pé por quase 2000 anos. E a razão disto é que Deus está a frente de seu povo, o conduz e também está com ele e no meio dele. Claro que a colaboração do homem é indispensável para que este projeto de salvação aconteça, porém, a iniciativa e o poder vem sempre de Deus.


Deus esta presente na Igreja?
Sim. Na Pessoa do seu Filho Jesus, que igualmente é Deus e se faz presente de modo eficaz na Comunidade que se reúne em seu nome, na Palavra, na pessoa do sacerdote e sobretudo na Eucaristia.
Sobre a presença de Jesus na Eucaristia, o Evangelho que hoje ouvimos que nos relata a multiplicação dos pães (cf. Jo 6,1-15) nos ajuda a aprofundar essa certeza. João situa este acontecimento, juntamente com a narração de que Jesus caminha sobre as águas como introdução ao grande discurso do Pão da vida, no qual Ele afirma que sua carne é verdadeira comida e seu sangue verdadeira bebida.
Existe uma multidão que está seguindo Jesus, que o acompanha porque vê os sinais que ele opera: curas físicas, libertações de endemoniados, mortos que ressuscitam, sinais e prodígios que se dão das mais diversas formas. É a esta multidão que Jesus falará e num tom que cobra uma posição: para continuar ser seu discípulo não basta crer nos sinais que Ele realiza é preciso aceitar que Ele pode doar seu Corpo e Sangue em alimento e bebida e esta realidade se concretizará na Eucaristia celebrada pela sua Igreja.
Jesus no milagre da multiplicação dos pães sacia os homens que tinham fome, e partindo de uma realidade terrena, de dons terrenos, o pão e o peixe, ele começa a revelar-se a si mesmo, o seu ministério e a sua missão numa profundidade que a mente humana é incapaz de provar ou de comprovar. O pão que ele dá, que ele multiplica é sinal de um outro pão que será seu Corpo entregue por nós na Cruz e entregue a nós como alimento.
O milagre em questão ainda aponta outra realidade: não é possível revelar um pão de vida eterna, sem cobrar o empenho de que se leve a sério as exigências da solidariedade humana. O gesto de Jesus leva a partilha e nos faz entender que Eucaristia é partilha e que ela deve continuar no nosso dia a dia, pois ela nos chama a nos comprometer com a partilha do que temos com o que pouco ou nada tem.
A Eucaristia distribui em abundância o pão da vida, como revelação da pessoa de Cristo, é sinal e certeza da sua Presença no meio de nós. É a prova da qual Gamaliel falava no seu discurso diante das acusações que faziam aos apóstolos, sem mesmo saber. O que atesta que a Igreja é obra de Deus, não é só fato dele estar junto do seu povo, mas a certeza de que Ele está no meio do seu povo no Sacramento do Corpo e do Sangue do Salvador, a Eucaristia.

Pe. Rodolfo Marinho de Sousa
Memória de Santo Atanásio - Sexta Feira da 2a. Semana da Páscoa
Grupo de Oração Shekinah.


Confira algumas fotos da Santa Missa no Grupo de Oração: 
Fotos: Amanda Montalvão

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ide à Galiléia - Papa Francisco

O Evangelho da ressurreição de Jesus Cristo começa referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do sábado. Querem honrar o corpo do Senhor e vão ao túmulo, mas encontram-no aberto e vazio. Um anjo majestoso diz-lhes: «Não tenhais medo!» (Mt 28, 5). E ordena-lhes que levem esta notícia aos discípulos: «Ele ressuscitou dos mortos e vai à vossa frente para a Galileia» (28, 7). As mulheres fogem de lá imediatamente, mas, ao longo da estrada, sai-lhes ao encontro o próprio Jesus que lhes diz: «Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão» (28, 10). «Não tenhais medo», «Não temais»: essa é uma voz que encoraja a abrir o coração para receber este anúncio.
Depois da morte do Mestre, os discípulos tinham-se dispersado; a sua fé quebrantara-se, tudo parecia ter acabado: desabadas as certezas, apagadas as esperanças. Mas agora, aquele anúncio das mulheres, embora incrível, chegava como um raio de luz na escuridão. A notícia espalha-se: Jesus ressuscitou, como predissera... E de igual modo a ordem de partir para a Galileia; duas vezes a ouviram as mulheres, primeiro do anjo, depois do próprio Jesus: «Partam para a Galileia. Lá Me verão». «Não temais» e «ide para a Galileia».
A Galileia é o lugar da primeira chamada, onde tudo começara! Trata-se de voltar lá, voltar ao lugar da primeira chamada. Jesus passara pela margem do lago, enquanto os pescadores estavam a consertar as redes. Chamara-os e eles, deixando tudo, seguiram-No» (cf. Mt 4, 18-22).
Voltar à Galileia significa reler tudo a partir da cruz e da vitória; sem medo, «não temais». Reler tudo – a pregação, os milagres, a nova comunidade, os entusiasmos e as deserções, até a traição – reler tudo a partir do fim, que é um novo início, a partir deste supremo acto de amor.
Também para cada um de nós há uma «Galileia», no princípio do caminho com Jesus. «Partir para a Galileia» significa uma coisa estupenda, significa redescobrirmos o nosso Baptismo como fonte viva, tirarmos energia nova da raiz da nossa fé e da nossa experiência cristã. Voltar para a Galileia significa antes de tudo retornar lá, àquele ponto incandescente onde a Graça de Deus me tocou no início do caminho. É desta fagulha que posso acender o fogo para o dia de hoje, para cada dia, e levar calor e luz aos meus irmãos e às minhas irmãs. A partir daquela fagulha, acende-se uma alegria humilde, uma alegria que não ofende o sofrimento e o desespero, uma alegria mansa e bondosa.
Na vida do cristão, depois do Baptismo, há também outra «Galileia», uma «Galileia» mais existencial: a experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo, que me chamou para O seguir e participar na sua missão. Neste sentido, voltar à Galileia significa guardar no coração a memória viva desta chamada, quando Jesus passou pela minha estrada, olhou-me com misericórdia, pediu-me para O seguir; voltar para Galileia significa recuperar a lembrança daquele momento em que os olhos d’Ele se cruzaram com os meus, quando me fez sentir que me amava.
Hoje, nesta noite, cada um de nós pode interrogar-se: Qual é a minha Galileia? Trata-se de fazer memória, ir de encontro à lembrança. Onde é a minha Galileia? Lembro-me dela? Ou esqueci-a? Procura e a encontrarás! Ali o Senhor te espera. Andei por estradas e sendas que ma fizeram esquecer. Senhor, ajudai-me! Dizei-me qual é a minha Galileia. Como sabeis, eu quero voltar lá para Vos encontrar e deixar-me abraçar pela vossa misericórdia. Não tenhais medo, não temais, voltai para a Galileia!
O Evangelho é claro: é preciso voltar lá, para ver Jesus ressuscitado e tornar-se testemunha da sua ressurreição. Não é voltar atrás, não é nostalgia. É voltar ao primeiro amor, para receber o fogo que Jesus acendeu no mundo, e levá-lo a todos até aos confins da terra. Voltai para a Galileia sem medo.
«Galileia dos gentios» (Mt 4, 15; Is 8, 23): horizonte do Ressuscitado, horizonte da Igreja; desejo intenso de encontro... Ponhamo-nos a caminho!
Papa Francisco, 
Homilia na Noite Santa da Vigilia Pascal da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Sacerdócio e Eucaristia

1. Estes dias faremos lembrança da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
Sabemos que a morte de Cristo é sua entrada para uma vida nova, a vida de Ressuscitado, a vida que permanecerá, mostrando claramente que Ele, Senhor da Vida e da morte, superou a morte.
Este mistério é grande e indica a nós cristãos que não é possível uma união com Cristo sem morrermos primeiramente a tudo o que constitui o velho mundo e o velho homem.
Participamos deste mistério na liturgia que nos proporciona realizar mais uma vez a morte e a vida do Senhor. Participar deste mistério implica em morrer para o pecado, renovar a nossa ressurreição para a vida da graça, o nosso empenho em realizar a nova criação que se inicia na Ressurreição de Cristo, e emprego maior da nossa liberdade espiritual, um privilégio que nos alcança o sacrifício redentor do Cristo: “Foi para a liberdade que Ele nos libertou”.

2. A Páscoa era a festa nacional do Povo Eleito, lembrança da sua libertação das mãos do opressor. A Páscoa permanece para nós, povo cristão, festa de libertação do pecado e da morte e de constituição em povo santo, em sacerdócio real. A celebramos com frutos quando temos a consciência de que entre nós há características de um povo de “remidos”, comprados e resgatados pelo sangue do Filho de Deus, nosso Salvador, e por isso as celebrações que já iniciamos é um convite a direcionarmos a nossa vida em caridade e obediência a Deus, e prolongarmos a Ele um culto de adoração em espírito e verdade que o Calvário inaugurou. Essa realidade é certeza e presença na Eucaristia.

3. Eucaristia que hoje celebramos fazendo memória da sua instituição, um rito memorial da nova aliança, certamente o aspecto mais evidente da nossa fé, a certeza de que Jesus Ressuscitado está em nosso meio, certeza que é acompanhada de uma evocação histórica do acontecimento realizado na última ceia. Todas as gerações proclamaram essa verdade na Celebração Eucarística: Jesus está vivo, ressuscitado no meio de nós. A Eucaristia é o centro e a vida da Igreja, sem a mesma, a Igreja não existiria.
O “fazei isto em memória de mim”, exige cooperadores para que este mistério aconteça. Jesus confia essa missão aos apóstolos, aos seus sucessores – os bispos, e aos presbíteros. Nasce assim, junto com o sacramento da imortalidade, o sacramento do sacerdócio da nova lei. Somente homens, separados por Deus e devidamente preparados, são ordenados e podem realizar em nosso meio o milagre da Eucaristia. Sem o sacerdócio não há Eucaristia. Sem Eucaristia não há Igreja, por isso o mistério é grande e um elemento é essencial ao outro.

4. A instituição do ministério sacerdotal traz como sua essência o serviço fraterno da caridade, é por isso que Jesus lava os pés dos seus; muito mais que um gesto serviçal é um gesto de amor, que vem acompanhado do seguinte exemplo: lavai os pés uns dos outros, assim como eu vos lavei.
No gesto do lava pés encontramos essencialmente o testamento de Jesus em palavras e exemplo, não só aos sacerdotes, mas, a todo povo que lhe pertence. É preciso fazer o mesmo entre irmãos. É preciso fazer como ele, em todo tempo, no meio da comunidade e dos irmãos, a celebração de serviços mútuos e mais diversos, livres de qualquer interesse, nos quais se tornem presentes o amor supremo do Cristo pelos seus, amor que amou até o fim. Neste sentido a Eucaristia, que é doação plena de amor, se entende em cada gesto de amor, que se torna igualmente “sacramento”, imagem de uma única realidade: o amor do Pai em Cristo, o amor, em Cristo, de todos os que creem.

5. São os sacerdotes, de fato, os primeiros a darem o exemplo, por palavras e gestos. Porém, não nos esqueçamos de que eles são “humanos”, portanto, falhos, necessitados e pecadores, que necessitam de ajuda, de oração, de conselhos, correção, mas, sobretudo de abraço, carinho e compreensão.
Nosso bispo pela manhã, dizia-nos na missa crismal, em forma de pedido, que os sacerdotes amassem profundamente o povo a eles confiados e demonstrassem um carinho infinito, como de um pai a seus filhos. Temos nos esforçado para isso, mas, algumas vezes para encontrarmos as forças necessárias, precisamos nos confiar também como “filhos” no meio do nosso povo, para que a recíproca seja verdadeira, e essa dimensão da caridade se realize mais completamente em nosso meio.

6. Jesus se dá em alimento, a Eucaristia é o sacramento do amor, desta realidade que estamos falando. Em suma, é a mesma realidade do rito daquela ceia derradeira (que na verdade foi a primeira), em sua repetição até a volta do Senhor, e em sua necessária simplicidade de forma, estilizada ao longo dos séculos. Esta realidade só pode compreender quem é “iniciado à fé”, ou seja, quem recebeu catequese adequada e fez uma profunda experiência de fé, que tem a compreensão acompanhada do esforço de viver todos os dias aquilo que se exprime e celebra na assembléia. Não vemos Jesus se “materializar” no pão e no vinho, o que fazemos em cada celebração é uma profunda experiência de fé e certeza, de que Ele se faz presente no meio de nós neste sacramento salutar.
Uma experiência que não é abstrata, muito menos mágica, mas real, que implica na nossa união com Cristo, pois só participamos autenticamente da Eucaristia, que é memorial do sacrifício de Jesus, quando ela é também memorial do nosso sacrifício e da nossa vida. Ou seja, pertencemos ao Corpo de Cristo, que é um corpo eucarístico.

7. A ação de graças que celebramos na qual está presente de modo real e verdadeiro o Senhor morto e ressuscitado no pão e no vinho, se estende à pessoa dos irmãos, sobretudo, os mais pobres. Aqueles que fazem discriminação, desprezam os outros, alimentam divisões, não podem reconhecer o corpo do Senhor. Para estes últimos a missa não é mais Ceia do Senhor, mas um rito vazio que expressa sua condenação.


8. Por fim, não é a Eucaristia que nasce do sacerdócio, mas o sacerdócio que nasce da Eucaristia.
Dentro da comunidade, as relações recíprocas devem ser avaliadas em nível de serviço e não de poder, estas encontram sua perfeita expressão no momento da celebração eucarística. Quem “preside” à comunidade e é por ela responsável, preside também à Eucaristia; reúne-a na oração comum, como também é o elo de unidade nas diversas atividade realizadas ligadas à pregação da Palavra e a vivência da caridade.
Para ser coerentes com seu ministério sacramental, o bispo com os sacerdotes e os diáconos são os mais próximo do Cristo servo na consagração total de suas forças e sua vida naquilo que diz respeito a toda atividade da Igreja: "Os presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento. Participando, no grau próprio de seu ministério, da função de Cristo Mediador único (cf 1Tm 2,5), a todos anunciam a palavra de Deus. Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no culto eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando seu mistério, eles unem Os votos dos fiéis ao sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no sacrifício da missa o único sacrifício do Novo Testamento, isto é, o sacrifício de Cristo que, como hóstia imaculada, uma vez por todas se ofereceu ao Pai... Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo... De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus". (LG 28)

Pe. Rodolfo Marinho de Sousa.
Referencia: Missal Dominical, Paulus.